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OS CACOS E ARTE JAPONESA

Todos os dias, por mais que tentamos evitar, enfrentamos varias situações perigosas: atravessar uma rua, tomar banho, acender o fogão…

Hoje, enxaguava  algumas coisas, e dentre elas, um recipiente de vidro para guardar queijo na geladeira. Resolvi lava-lo para iniciar o uso! Estava com as mãos molhadas e eis que, inadvertidamente, o vidro escorrega das minhas mãos e se esmigalha no chão!!!!!

Olhei o estrago, e imediatamente fui juntar os cacos para que ninguém se machucasse. A queijeira nova, havia se espatifado e virado mil pedacinhos de vidro. Pegando os cacos maiores, eis que um pequeno pedacinho espeta minha mão! Puxo o pequeno espeto, e continuo minha busca. Pretendo evitar que outra pessoa possa se ferir.

Ou seja, viver é sempre perigoso. Sempre estamos sujeitos a imprevistos que nos levam a repensar o script proposto e corrigi-lo para que se adeque aos momentos e necessidades que se apresentam.

Usei o que aconteceu esta manhã, apenas como ilustração banal do que ocorre diariamente. O perigo está sempre nos rondando, como um roçar na epiderme de todos nós.

Screaming woman against black background

Juntar os cacos, aproveitar as situações frustrantes podem trazer um impulso criativo que gera novas soluções até então inusitadas.

Ocorreu uma falha minha, falha humana que gerou um transtorno inesperado!

Ter permissão interna para errar, pode levar a criação de soluções inéditas e surpreendentes!

Aprendemos desde pequenos, a ter cuidados básicos com a própria vida: olhar bem ao atravessar a rua e cuidar para não deixar o gás aberto sem chama no fogão.

Muitas vezes, acontecem coisas inesperadas que podem nos levar a sentir em cacos.  Buscar o rearranjo destes pedaços pode vir a restabelecer ou formar novas experiencias e fortalecer o mundo interno de cada um. A cada revés superado, experimentando a sensação de sentir-se melhor, traz um alento que, ao longo da vida, gera mais confiança na capacidade de se restabelecer.

Como o Kintsugi*, arte japonesa de restauro com ouro, de porcelana ou cerâmica, que faz com que as peças restauradas adquiram maior valor!

*O kintsugi ou kintsukuroi é a arte japonesa de reparar com ouro objetos em cerâmica quebrados. Desta forma, o que está quebrado não é jogado fora e acaba adquirindo um grande valor. Normalmente se utiliza nesta técnica misturas feitas com pó de ouro ou prata, mas também com bronze, latão ou cobre. As criações que usam esta técnica são sempre peças únicas, porque o modo em que cerâmica se quebra é sempre diferente. A arte do kintsugi é baseado em uma idéia simples: da imperfeição pode nascer uma verdadeira forma de arte que pode levar tanto à perfeição estética quanto a um crescimento interior.

Até o próximo encontro

Miriam

mhalperng@gmail.com

11 999898686

Miriam Halpern

Miriam Halpern

Miriam Halpern, Psicóloga, mãe e avó. Hobby preferido, viajar e conhecer o modo de vida de outros países e culturas.
Fiz psicologia, já com os 3 filhos em casa. Fui mãe tempo integral durante 8 anos, ate que, estimulada por problemas domésticos (o filho do meio nasceu
deficiente auditivo), procurei me profissionalizar em escutar e ajudar famílias que passavam pelo mesmo que eu. Desde então não parei de estudar e trabalhar.
Após o curso de psicologia, fiz formação em Psicanálise na Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, instituição ligada a International Psychoanalitical Association de Londres, da qual sou membro efetivo e
docente.
Não satisfeita, fiz mestrado em Distúrbios do Desenvolvimento, na Universidade Mackenzie, pois queria me familiarizar com o Desenvolvimento Humano e nas relações inicias que nos constitui como humanos.
Hoje, mais tranquila, quero dividir minhas experiências, contar e ouvir.

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